quinta-feira, 7 de maio de 2026

Eu gosto do silêncio

Rua da Bahia, 19º andar: onde o dito tantas e tantas vezes foi dito pela primeira vez. E hoje que estou aqui, é silêncio. Silêncio interno que causa mil e uma reflexões, mil e um pensamentos, mil e um questionamentos, uma certa paz... mas lá fora tudo é caos. O caos do Centro da cidade, o caos do barulho, o caos delicioso que é a vida e estar vivo, que traz presença em nós. Em nós. Em laços. Em desatar em nós, os nós dos laços que fazemos ao longo da nossa caminhada. 

Sabe, eu gosto do silêncio... Aprendi a gostar, na verdade. Acho que eu tinha medo do silêncio. Medo de, por exemplo, sentar com alguém e não ter assunto. Mas a gente precisa conversar o tempo todo? Como refletir sobre as coisas da vida e então, assim, ajudar a elaborar novas prosas se estivermos falando o tempo todo? O silêncio se fez necessário em mim quando parei pra pensar no motivo de não gostar dele.

Aprendi que não temos que ter assunto 100% do tempo com as pessoas que amamos. Tá tudo bem rolar alguns silêncios durante um encontro, durante um rolê com amigos, durante uma aula, durante a vida com alguém constantemente ao lado, durante quaisquer momentos que a gente pensa que devemos falar o tempo todo. 

E não é constrangedor. Faça dele seu aliado... observe ao redor, viaje em seus pensamentos. Não dizem que quando o silêncio surge numa roda de conversa, do nada, é um anjo passando? Use-o de anjo da guarda. Use isso a seu favor, dê um sorriso gostoso internamente, e então, quando se sentir confortável, volte a falar. Ou não.

Tenho, no meu vínculo de convivência, pessoas que amo demais, mas falam muito o tempo todo e às vezes só quero ficar ali, parada, sentindo o tempo passar, olhando a paisagem, o teto, o nada, a mim mesma, meus pensamentos, minhas cores, dores, flores, amores e sabores. Por um lapso de segundo, que seja, mas tenho pensado no silêncio como essencial. Em mim, pra mim, por mim.

Recentemente, num date, a pessoa se incomodou com o silêncio que rolou. Não lembro exatamente o que foi, mas estávamos ouvindo música e ficamos uns minutinhos quietos, curtindo o som, quando ele soltou um "nossa, Livinha, você tá muito quieta hoje". Tal fala me incomodou de uma forma que jamais acharia que incomodaria em tempos de outrora; tempos onde eu já fui essa pessoa que sentia uma certa aflição do silêncio, de um momento de apreciação daquele instante, pois achava que isso era sinônimo de falta de presença. Mas não, pelo contrário, é a presença.

Fernando Anitelli, do grupo Teatro Mágico, escreveu sobre o silêncio lindamente numa letra que fez ao seu irmão que faleceu:

Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo, incerto, depende de como você vê

Que sejamos a luta, a força e a coragem pra chegar. Não no fim, mas no decorrer da nossa história. Que o silêncio da ausência do outro, ou da conversa que insiste em não dar pausa por medo do silêncio constrangedor, se permitam acontecer. Se permitam estar onde e quando quiserem estar.

Quando vi e ouvi, no maravilhoso filme Hamnet, a frase "o resto é silêncio", passei dias pensando sobre essas palavras. O que precisou ser sentido? *ALERTA DE SPOILER* A morte. Na narrativa, Shakespeare não chegou a tempo de se despedir do filho, Hamnet. Ao mesmo tempo, a mãe, Agnes, não aceitava ter perdido sua criança mesmo com todo esforço sobrehumano que só uma mãe é capaz de fazer. Dessa forma, os dois se prendem a um luto que os impedem de seguir em frente. Era preciso se despedir de vez de Hamnet, mas nem um e nem o outro eram capazes. 

Shakespeare encontrou na arte, no teatro, a maneira de conseguir se despedir, e o filme mostra linda e brilhantemente como a encenação da peça serviu para ele (do palco) e sua esposa (da plateia) dizerem adeus ao filho que já havia partido. Incrível como a arte sempre traz um aconchego, de uma forma ou de outra, né? 

Encarnado pelo ator que interpretava Hamlet na peça dentro do filme, as palavras finais do personagem que anteciparam a sua morte foram: "o resto é silêncio". Pronto. No silêncio, os pais se viram livres do luto, liberando a memória do próprio filho para descansar em paz.

Um filme maravilhoso e de uma delicadeza incrível, recomendo. Com ele, aprendi a gostar e respeitar ainda mais o silêncio. O som nem sempre é preciso e muitas vezes se faz desnecessário para a gente se ouvir e sentir. É preciso saber perder e a perda não deixa de ser uma espécie de morte.

Assim morre; morre a vitória idealizada, toda a história criada, os planos feitos, os castelos erguidos, os sonhos sonhados... E depois da morte, o resto é silêncio. Se faz importante ficar em silêncio para descobrir o que vem depois dele.

O silêncio te traz conforto ou incômodo?

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Um dez a fio supimpa!

Ter me proposto a tocar um instrumento de corda me fez lembrar quando comecei a fazer aulas de jazz dance, quando era criança... 

Loucura gostosa é nossa mente, né?! Até a gente pegar a coreografia era uma quantidade danada de nós na mente e no corpo até ele acostumar com a música e dançar de forma fluida...

Sempre achei diliça demais o som do ukulele e quis aprender a tocar, mas nunca me propus. Dia desses, comentando com um amigo musicista querido, ele disse que tinha um parado em casa, se eu não queria ficar com ele. Me incentivou tanto que, claro, não pude recusar e dei uma chance pra mim mesma.

 

Um trem que acho difícil demais da conta é cantar e tocar. Nunca consigo tocar tambor e cantar as cantigas do Boi Bumbá que participo, quiçá pensar em acordes e cantar... Isso pq são só 4 cordinhas, hein.

Admiro mais ainda a galera que toca violão tão maravilhosamente bem e canta lindamente. Cês são foda, parabéns mesmo! \o/ 

Comecei no sábado com esses humildes 2 acordes. Tão simples, mas tão significativos pra minha jornada de quem nunca tinha arriscado nenhum instrumento de corda. 

E ainda por cima tocando uma música que marcou minha infância, como várias outras do Skank. Ai que delícia ter me proposto a esse desafio!

Ontem consegui tocar Pensamento, do Cidade Negra, com 3 acordes, mas o canto segue devendo... hihi

Que a dançarina que existe em mim não deixe a Lívia que se propôs a aprender a tocar desistir. Que ela sempre se lembre do comecinho das aulas de jazz, onde não era fácil decorar logo de cara as coreografias. E assim seguimos, bailando e cantando!

A arte é coisa linda de viver e não dá pra deixá-la de lado não. Mente sã, corpo são. Sempre! 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Ôns lotado e devaneios também

Quinta-feira e ôns lotando no caminho, pra variar. Peguei o S92 ali na Mármore pra primeira parte do trajeto até a empresa. Dessa vez, quando entrei, só tinha um lugar preferencial e a cadeira onde, em tempos de outrora, ficava o trocador. 

E ali me sentei pela primeira vez. Sentei, botei Enya no fone de ouvido e fechei os zóin pra ir relaxando até chegar ao final da primeira parte do percurso. 

Mesmo com o despertador programado pra não perder o ponto, de tempos em tempos eu abria os olhos pra ver onde tava. E como a posição da cadeira do trocador é diferenciada, de lado, foi interessante observar que, a cada vez que eu abria os olhos, tinha alguém diferente na minha frente e arredores, em pé.

Eu, na minha mania gostosa de observar o mundo e refletir sobre a vida, fiquei divagando em cada rosto e olhar que meus olhos encontravam ao se abrirem... e me sentindo até meio misteriosa, por estar doente e de máscara. Instigante observar cada expressão, cada corpo naquele microcosmo do ôns cheio e os sinais que esses corpos transmitiam.

Curioso ficar tentando imaginar o que cada um carrega dentro de si, né? Alguns com expressão de exaustos logo de manhã cedinho, outros descansados, outros repletos de mistérios no olhar, outros que desviam o olhar, outros com olhares tristes, outros com olhares de esperança, outros que parecem perdidos em si, outros que parecem de mal com o mundo, outros com uma serenidade contagiante...

Imagem de um bordado de dois olhos verdes

E assim a vida vai acontecendo. E como é gostoso estar vivo e observar o mundo, né?! Aprendemos tanto... E continuaremos aprendendo, pois como dizia Belchior, "ainda sou estudante da vida que eu quero dar".
 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Santêrerê

Uma formosura em cada rua, em cada canto, em cada segundo e minuto que se anda por esse bairro...

Em pleno mês de março, numa madrugada de quinta pra sexta, voltando da celebração de aniversário do Sérgio Pererê, luzinhas de Natal acesas numa árvore do jardim de uma casa na rua Formosa. Por que não?

Tudo reluz, mesmo em nossas sombras! Daqui, dali, acolá, o ano todinho. 

Coisa mais formosa é a vida, formosura é esse bairro e cada cantinho. Formosura é celebrar a vida de um dos maiores nomes da música mineira, quiçá da música brasileira e mundial no primeiro bairro que morei, o Concórdia.

É memória, é alegria, é vida, é potência, é movimento. A vida é movimento! 

Dos 50 anos do Pererê, há ao menos 25 eu sigo admirando a potência da sua voz, presença e alma nesse mundão. Certamente o presente somos nós quem ganhamos a cada dia! 

Feliz idade! Viva a vida!! 


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Vovôzin, meu amor todinho

ontem, ao chegar em Formiga, fui direto no vovô para cumprimentá-lo.

carrancudinho lindeza que é, em toda minha vida sempre que fui vê-lo e perguntei como está, ele sempre respondia com algo como "ah, uma dor nas costas", "ah, tô bom não...", "ah, tô com umas dores", "ah, tô levando", "ah, tô indo...", etc.

e para minha surpresa, ontem, ao chegar e ir correndo abraçá-lo no quarto dele e perguntar, ele soltou em bom tom um "tô bom não, tô ótimo!"

murri de alegria!! milagres de Natal podem acontecer, acredite! hohoho 

segunda-feira, 24 de março de 2025

Bordando memórias

Foi tão lindo fazer esse bordado, que enquanto eu bordava fui escrevendo no meu caderninho algumas reflexões sobre o luto. E aqui estão algumas delas...
Ressignificar momentos bordando dá um calorzinho gostoso no coração...

O luto é como o avesso do bordado, com seus espaços vazios, buracos e o caos do entrelaçar das linhas.
Avesso de um bordado com 2 corações interligados
Lado direito de um bordado com 2 corações interligados
Mas, com o tempo, o que fica na gente é o lado direito do bordado: belo e com cada pontinho em seu lugar, fortalecendo ainda mais o elo com quem se foi.

As lembranças gostosas e a presença marcante daquela pessoa, nesse nosso mundão, permanecem vivas.
Que o elo permaneça em cada coraçãozinho machucado pelo luto e que nossos corações sigam conectados, guardando memórias e fortalecendo quem fica! 😊

quinta-feira, 13 de março de 2025

Carnavalizar com a cultura popular

no carnaval de BH, bloco mais lindo que o Coco da Gente não há
há felicidade pra lá de metro encantando crianças de todas as idades
da primeira infância à terceira idade, há limite para a felicidade?
é um cadim de cantoria pra lá, bate bate o pé pra cá, bate bate palma pra lá
umbigadas e mais umbigadas acompanhadas de sorrisos e mais sorrisos
há sincronia entre cada troca de dançarinos no meio da roda
é sincronia no olhar, sincronia no dançar, sincronia no brincar!
em cada entoar de canto, muita história de resistência e alegriar
bate bate o pé no chão, ecoando no coração a emoção dessa tradição

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024






pensando na finitude da vida

e na infinitude do enquanto ela é vivida

🍄

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Conexões inesperadas: música, dança, solitude e reflexões no Uber

Começar a semana com um sorriso na alma é gostoso demais! O motorista do Uber começou perguntando sobre a rádio que eu queria ouvir. Colocou e depois ele começou a puxar assunto (o que geralmente me dá preguiça, bichinho do mato que sou - e por geralmente o papo ser ruim), perguntando se gosto de samba, que era o que tava tocando na rádio brasileiríssima (100,9), daí perguntou o que mais gosto de ouvir e tal, ele disse que gosta de forró pé de serra, perguntou se eu gostava e do que mais gostava de música, comentei que gosto das velharias da MPB, citei o Chico César e Geraldo Azevedo, ele disse que tb foi ao show e tal…

Sobre forró, eu falei que gosto mto de ouvir, mas não sei dançar. Ele disse uma frase mto bonita, que "pra saber dançar, é preciso saber ouvir". 🤯 

A mente explodiu. Que frase linda! E é exatamente isso, né? Não adianta querer dançar algo. Primeiramente é preciso ouvir e sentir a música, pois assim o ritmo flui de forma natural, te permitindo dançar. Lembrei dos anos que fiz jazz dance e era isso mesmo que eu sentia.

Depois o papo fluiu, falamos sobre viajar à sós, ele contou que morava em Portugal, jogava futebol lá, daí qdo voltou pro Brasil, enquanto pensava no que faria aqui, foi pra São Thiago, no Chile, sozinho e se permitiu tb. Contei de quando fui pra Jericoacoara e Canoa Quebrada, falamos bem do Nordeste, etc. 

Contei que sou bicho do mato, por isso amo viajar sozinha. Falamos sobre envelhecer no mato e me fez refletir sobre algo. Meu pai e meu irmão, por exemplo, dizem que não morariam no mato/interior de forma alguma, pela falta do que fazer. 

solitude

Isso é justamente o que me atrai pra morar no interior, ver a vida passando mais devagar, com mais qualidade de vida e tal… conversamos sobre como, no geral, pessoas que têm essa vontade são pessoas que se dão bem consigo mesmas, na solitude. Paramos pra pensar como grande parte das pessoas não dá conta de si mesma, não ama sua própria companhia por mto tempo. 

Qdo cheguei no destino que o Uber me deixou, ele disse pra eu me permitir (sobre amizades que falei que não costumo fazer), e que tenho uma energia mto, mto boa. Que cara de luz! Pela primeira vez na vida gostei de um papo de Uber.

(texto perdido no meu Google Drive, não é de hoje, mas hoje também é segunda-feira)

quarta-feira, 29 de março de 2023

maestro é quem dança a partitura,

enquanto os músicos tocam para o público.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Sou meu próprio universo

(bem Alceuzinha na foto)

Tenho em mim minha própria constelação: pintinhas e sardinhas por todos os cantos do meu corpo. Corpo que habito, corpo que amo, corpo que me acolhe.

Tenho em mim minha própria constelação, minha luz própria e, assim, faço de mim um universo particular, meu universo, meu lar. Alegria! Alegria!

Eu sou meu próprio lar. E como todo lar, às vezes me bagunço, às vezes sou caos, mas geralmente sou equilíbrio. E sou sempre aconchego, sou sempre amor. De mim para mim. De mim para o outro. Do outro para mim. Seja amor, espalhe amor!

Pinguelinha e outras cositas mais da nossa criança interior

Dia desses relembrei a parlenda da pinguelinha. E que delícia foi gravar esse videozinho... Depois ficamos relembrando brincadeiras de infância, uma infância saudável de brincadeiras de rua.

Ei, você, quando pensa na sua infância, quais parlendas você se lembra? Quais brincadeiras? Qual o primeiro cheiro marcante que vem a sua mente? Qual a primeira música que aprendeu? Qual a primeira oração que te ensinaram? Qual o primeiro amigo de verdade que você fez? Vocês ainda são amigos? Qual o primeiro contato com a natureza você se lembra na sua infância?

Não é segredo pra maioria das pessoas que me conhece que sou muito nostálgica. Essa nostalgia tem sido cada vez mais reflexiva. Amo ficar relembrando coisas da infância e identificando o que ficou daquela época na minha eterna criança interior.

Nossa criança interior é algo muito forte e lindo. Através dela entendemos muito do que fomos até aqui, muito do que somos, o que seremos ou queremos ser, como queremos criar nossos filhos. É algo louco e muito gostoso! Amo escrever sobre isso no meu caderninho, é super terapêutico!

Acolher nossa criança interior nos traz força, doçura e confiança para a vida adulta. Perdoe suas experiências de desamor, exclusão ou abandono, seja por familiares ou amiguinhos...

Essas experiências nos fazem retrair como forma de defesa e isso acaba refletindo de maneira a não nos permitir dar ou receber amor plenamente na vida adulta. As dores da nossa infância, da nossa criança, infelizmente (e felizmente também) têm grande impacto na vida adulta. Algumas a gente nunca consegue curar ou perdoar, mas é sempre gostoso e gratificante tentarmos.

Acolher nossa criança é essencial para nossa evolução e maturidade espiritual, para que possamos não mais ficar sempre na defensiva, reagindo a tudo que nos faz lembrar nossas dores.

Pegue suas dores e as transforme em cores, flores, amores e sabores! E que tudo seja leve, se não hoje, num futuro próximo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

querer ser
crer ser
crescer
queira ser
queira crer
queira crer, ser

quarta-feira, 8 de julho de 2020