quarta-feira, 4 de março de 2020

A maldade está nos olhos de quem vê

Os resgates que fazemos sobre nossa memória da infância são excelentes formas de curar várias coisas dentro da gente, já parou pra pensar nisso? Reflita.

Silhouettes of trees and people on a wood Free Photo

A primeira vez que vi uma desigualdade social de perto foi quando fui na casa da moça que cuidava de mim enquanto meus pais trabalhavam para nosso sustento. Maria é o nome dela.

Maria era sorridente, brincalhona e sempre foi muito carinhosa comigo, assim como sua mãe; Beth. Ou Dedeth, que é como eu a chamava.

Era uma rua de terra batida, sem calçamento, sem passeio. De passeio apenas eu ali, passando o dia na casinha da sorridente Maria. À passeio numa rua sem passeio.

Eu tinha provavelmente uns 7 anos. Criança não vê maldade nas coisas, né? Não julga, não inferioriza, não tem muita noção de realidades diferentes, apenas enxerga todos como semelhantes; humanos. O mau dos julgamentos e preconceitos são os adultos. Sempre foi.

Um pouco mais velha, por volta de 12 anos de idade, lembro de ter julgado o outro pela primeira vez. Foi algo relacionado a intolerância religiosa. Olhava torto para mulheres de saias longas e cabelos quase nos pés. Era muito comum entre as mulheres evangélicas se vestirem assim nos anos 1990.

Esse julgamento veio, claramente, de influências de pessoas próximas a mim. Influência é algo pesado, meus caros... Vocês bem sabem. Ainda mais para uma criança que é inocente e não tem noção das maldades e preconceitos no mundo.

Minha mãe nunca falou mal de religião nenhuma pra mim. Muito pelo contrário, pois ela é uma das pessoas mais humanas e justas que conheço. Mas da grande maioria das outras pessoas ouvia que era feio e até mesmo falta de higiene aquele cabelo enorme e por um tempo levei essa verdade comigo.

Criada num ambiente de preconceito sobre diversos assuntos, me lembro também, já na adolescência, de ter visto duas mulheres se beijando na estação de metrô em Venda Nova e achado estranho e falta de respeito com as pessoas que ali estavam (?).

Que bom que com o tempo, um cadim de informação e boas novas influências na vida, a gente aprende que amor é amor, né? Simples assim, sem distinção de gênero, raça ou classe. Aprende também sobre tolerância, sobre humanidade, sobre justiça social.

Para isso geralmente é preciso nos afastarmos de pessoas tóxicas em nossas vidas. E essas pessoas muito comumente são da nossa própria família ou "amigos" próximos. Já parou para pensar nisso? Pare, pense. Pesquise sobre as coisas em diferentes fontes para, aí sim, formar sua própria opinião.

Perdoe a sua criança interior. Faça sempre trabalhos mentais para refletir sobre ações da sua infância que influenciam quem você vem se tornando.

Infelizmente muita gente permanece estagnada e com pensamentos sórdidos sobre tudo e todos. Só lamento por essas pessoas. Quero mais é continuar evoluindo e sendo cada dia mais e mais humana. Mais e mais justa. Mais e mais eu.