sábado, 27 de junho de 2026

Andorinha voou, voou

Em meio ao turbilhão, em que todos os sinais já mostravam que ela seria uma andorinha só, um casal de andorinhas pousou na janela, pedindo calmaria e apreciação do presente raro que deram, estando ali presentes. 

Pediram, apenas com uma imponente presença acompanhada de um belo e breve pio, que eles parassem um instante e apreciassem. 

(andorinhas bordadas por mim 🤍)

Silenciaram e apreciaram, um cadim meio sem acreditar naquele instante de tanta beleza e raridade. 

E naquele momento, houve esperança. Mas o esperançar (de Paulo Freire) nunca houve, desde então. Nunca foi ouvido por ele. Para o esperançar, ele se tornou surdo, mudo, imóvel. 

"andorinha voou, voou
fez um ninho na minha mão
e um buraco bem no meu coração"

Um ano depois, após uma crise de choro na praça, hoje, enquanto estava no sofá, uma andorinha só pousou na janela e chamou a atenção dela com seu pio, como um acalento. Mas uma andorinha só não faz verão, não é mesmo?

Parou o que fazia e foi vê-las voando, com um sorriso gostoso nos lábios e outro interno. Lá estavam num grupinho, umas 5, sincronizadas a bailar no ar. Tão tão lindas... Nos mostrando que, mesmo se faltar o vento, a gente inventa o movimento. 

#nowlistening
Čao Laru - Não estaremos sós

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Eu gosto do silêncio

Rua da Bahia, 19º andar: onde o dito tantas e tantas vezes foi dito pela primeira vez. E hoje que estou aqui, é silêncio. Silêncio interno que causa mil e uma reflexões, mil e um pensamentos, mil e um questionamentos, uma certa paz... mas lá fora tudo é caos. O caos do Centro da cidade, o caos do barulho, o caos delicioso que é a vida e estar vivo, que traz presença em nós. Em nós. Em laços. Em desatar em nós, os nós dos laços que fazemos ao longo da nossa caminhada. 

Sabe, eu gosto do silêncio... Aprendi a gostar, na verdade. Acho que eu tinha medo do silêncio. Medo de, por exemplo, sentar com alguém e não ter assunto. Mas a gente precisa conversar o tempo todo? Como refletir sobre as coisas da vida e então, assim, ajudar a elaborar novas prosas se estivermos falando o tempo todo? O silêncio se fez necessário em mim quando parei pra pensar no motivo de não gostar dele.

Aprendi que não temos que ter assunto 100% do tempo com as pessoas que amamos. Tá tudo bem rolar alguns silêncios durante um encontro, durante um rolê com amigos, durante uma aula, durante a vida com alguém constantemente ao lado, durante quaisquer momentos que a gente pensa que devemos falar o tempo todo. 

E não é constrangedor. Faça dele seu aliado... observe ao redor, viaje em seus pensamentos. Não dizem que quando o silêncio surge numa roda de conversa, do nada, é um anjo passando? Use-o de anjo da guarda. Use isso a seu favor, dê um sorriso gostoso internamente, e então, quando se sentir confortável, volte a falar. Ou não.

Tenho, no meu vínculo de convivência, pessoas que amo demais, mas falam muito o tempo todo e às vezes só quero ficar ali, parada, sentindo o tempo passar, olhando a paisagem, o teto, o nada, a mim mesma, meus pensamentos, minhas cores, dores, flores, amores e sabores. Por um lapso de segundo, que seja, mas tenho pensado no silêncio como essencial. Em mim, pra mim, por mim. E olha que eu sou bem tagarela também, viu. Amo uma boa prosa!

Recentemente, num date, a pessoa se incomodou com o silêncio que rolou. Não lembro exatamente o que foi, mas estávamos ouvindo música e ficamos uns minutinhos quietos, curtindo o som, quando ele soltou um "nossa, Livinha, você tá muito quieta hoje". Tal fala me incomodou de uma forma que jamais acharia que incomodaria em tempos de outrora; tempos onde eu já fui essa pessoa que sentia uma certa aflição do silêncio, de um momento de apreciação daquele instante, pois achava que isso era sinônimo de falta de presença. Mas não, pelo contrário, muitas vezes é a presença, mas sem precisar ser anunciada.

O silêncio te traz conforto ou incômodo?

*editado em 03/06*

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Um dez a fio supimpa!

Ter me proposto a tocar um instrumento de corda me fez lembrar quando comecei a fazer aulas de jazz dance, quando era criança... 

Loucura gostosa é nossa mente, né?! Até a gente pegar a coreografia era uma quantidade danada de nós na mente e no corpo até ele acostumar com a música e dançar de forma fluida...

Sempre achei diliça demais o som do ukulele e quis aprender a tocar, mas nunca me propus. Dia desses, comentando com um amigo musicista querido, ele disse que tinha um parado em casa, se eu não queria ficar com ele. Me incentivou tanto que, claro, não pude recusar e dei uma chance pra mim mesma.

 

Um trem que acho difícil demais da conta é cantar e tocar. Nunca consigo tocar tambor e cantar as cantigas do Boi Bumbá que participo, quiçá pensar em acordes e cantar... Isso pq são só 4 cordinhas, hein.

Admiro mais ainda a galera que toca violão tão maravilhosamente bem e canta lindamente. Cês são foda, parabéns mesmo! \o/ 

Comecei no sábado com esses humildes 2 acordes. Tão simples, mas tão significativos pra minha jornada de quem nunca tinha arriscado nenhum instrumento de corda. 

E ainda por cima tocando uma música que marcou minha infância, como várias outras do Skank. Ai que delícia ter me proposto a esse desafio!

Ontem consegui tocar Pensamento, do Cidade Negra, com 3 acordes, mas o canto segue devendo... hihi

Que a dançarina que existe em mim não deixe a Lívia que se propôs a aprender a tocar desistir. Que ela sempre se lembre do comecinho das aulas de jazz, onde não era fácil decorar logo de cara as coreografias. E assim seguimos, bailando e cantando!

A arte é coisa linda de viver e não dá pra deixá-la de lado não. Mente sã, corpo são. Sempre! 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Ôns lotado e devaneios também

Quinta-feira e ôns lotando no caminho, pra variar. Peguei o S92 ali na Mármore pra primeira parte do trajeto até a empresa. Dessa vez, quando entrei, só tinha um lugar preferencial e a cadeira onde, em tempos de outrora, ficava o trocador. 

E ali me sentei pela primeira vez. Sentei, botei Enya no fone de ouvido e fechei os zóin pra ir relaxando até chegar ao final da primeira parte do percurso. 

Mesmo com o despertador programado pra não perder o ponto, de tempos em tempos eu abria os olhos pra ver onde tava. E como a posição da cadeira do trocador é diferenciada, de lado, foi interessante observar que, a cada vez que eu abria os olhos, tinha alguém diferente na minha frente e arredores, em pé.

Eu, na minha mania gostosa de observar o mundo e refletir sobre a vida, fiquei divagando em cada rosto e olhar que meus olhos encontravam ao se abrirem... e me sentindo até meio misteriosa, por estar doente e de máscara. Instigante observar cada expressão, cada corpo naquele microcosmo do ôns cheio e os sinais que esses corpos transmitiam.

Curioso ficar tentando imaginar o que cada um carrega dentro de si, né? Alguns com expressão de exaustos logo de manhã cedinho, outros descansados, outros repletos de mistérios no olhar, outros que desviam o olhar, outros com olhares tristes, outros com olhares de esperança, outros que parecem perdidos em si, outros que parecem de mal com o mundo, outros com uma serenidade contagiante...

Imagem de um bordado de dois olhos verdes

E assim a vida vai acontecendo. E como é gostoso estar vivo e observar o mundo, né?! Aprendemos tanto... E continuaremos aprendendo, pois como dizia Belchior, "ainda sou estudante da vida que eu quero dar".