Rua da Bahia, 19º andar: onde o dito tantas e tantas vezes foi dito pela primeira vez. E hoje que estou aqui, é silêncio. Silêncio interno que causa mil e uma reflexões, mil e um pensamentos, mil e um questionamentos, uma certa paz... mas lá fora tudo é caos. O caos do Centro da cidade, o caos do barulho, o caos delicioso que é a vida e estar vivo, que traz presença em nós. Em nós. Em laços. Em desatar em nós, os nós dos laços que fazemos ao longo da nossa caminhada.
Sabe, eu gosto do silêncio... Aprendi a gostar, na verdade. Acho que eu tinha medo do silêncio. Medo de, por exemplo, sentar com alguém e não ter assunto. Mas a gente precisa conversar o tempo todo? Como refletir sobre as coisas da vida e então, assim, ajudar a elaborar novas prosas se estivermos falando o tempo todo? O silêncio se fez necessário em mim quando parei pra pensar no motivo de não gostar dele.
Aprendi que não temos que ter assunto 100% do tempo com as pessoas que amamos. Tá tudo bem rolar alguns silêncios durante um encontro, durante um rolê com amigos, durante uma aula, durante a vida com alguém constantemente ao lado, durante quaisquer momentos que a gente pensa que devemos falar o tempo todo.
E não é constrangedor. Faça dele seu aliado... observe ao redor, viaje em seus pensamentos. Não dizem que quando o silêncio surge numa roda de conversa, do nada, é um anjo passando? Use-o de anjo da guarda. Use isso a seu favor, dê um sorriso gostoso internamente, e então, quando se sentir confortável, volte a falar. Ou não.
Tenho, no meu vínculo de convivência, pessoas que amo demais, mas falam muito o tempo todo e às vezes só quero ficar ali, parada, sentindo o tempo passar, olhando a paisagem, o teto, o nada, a mim mesma, meus pensamentos, minhas cores, dores, flores, amores e sabores. Por um lapso de segundo, que seja, mas tenho pensado no silêncio como essencial. Em mim, pra mim, por mim. E olha que eu sou bem tagarela também, viu. Amo uma boa prosa!
Recentemente, num date, a pessoa se incomodou com o silêncio que rolou. Não lembro exatamente o que foi, mas estávamos ouvindo música e ficamos uns minutinhos quietos, curtindo o som, quando ele soltou um "nossa, Livinha, você tá muito quieta hoje". Tal fala me incomodou de uma forma que jamais acharia que incomodaria em tempos de outrora; tempos onde eu já fui essa pessoa que sentia uma certa aflição do silêncio, de um momento de apreciação daquele instante, pois achava que isso era sinônimo de falta de presença. Mas não, pelo contrário, muitas vezes é a presença, mas sem precisar ser anunciada.
O silêncio te traz conforto ou incômodo?
*editado em 03/06*