Você é os brinquedos que brincou, as travessuras que viveu, os desenhos que assistiu, os segredos que guardou, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, você é o que você lembra, mas também o que não lembra. Você é o sorriso, a gargalhada, a infância que você recorda, mas também os ferimentos que restaram dela. Você é a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora. Você é o abraço inesperado, o abraço apertado, a força dada para o amigo que precisa, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, os pedaços que junta. Você é o orgasmo, o beijo, a mordidinha carinhosa, os apelidos dados pelas pessoas que você mais admira, você é o que você desnuda. Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, a preguiça, a raiva que tudo isso dá. Você é os filmes que gosta, as músicas que tantas lembranças lhe trazem, você é a ópera que lhe surpreendeu e arrepiou, você é o que você vive. você é as cartas que recebe, as cartas que você escreve, você é as lembranças guardadas na sua caixa de Pandora, você é o que você recorda. Você é o olhar profundo compartilhado com alguém, o romantismo raro, você é o que você ama. Você é o que você sonha, o que sonha ser realidade. Você é o batuque do tambor que ressoa internamente vibrando tudo ao seu redor. Você é o carinho que recebe, o cafuné, o abraço apertado. Você é o que ninguém vê.