"Eu não sei o que fazer de mim; então, hoje eu quis morrer. Mas só um pouquinho. Na verdade, quero todos os dias, mas acabo permanecendo viva. Para o meu desespero, eu existo. E tudo à minha volta me lembra essa existência: meus sapatos, as roupas que usei ontem e agora estão dobradas em cima da cadeira, os livros organizados na estante, a lista de tudo o que não fiz [nem vou fazer] pregada na porta da geladeira. E ele, o espelho. Que fique claro, eu não sou a imagem do espelho. Ela aparece pronta a cada vez que eu me aproximo dele. Isso está errado. Quando eu olhar no espelho, leia-se: em contrução. Eu queria me encontrar assim, no susto, virando a esquina e dando de cara comigo:
- Oi!"
- Oi!"