Pudera eu ouvir o cantar dos pássaros, a voz da minha mãe, a voz do meu pai, a voz do meu irmão, o latido dos cães, o som numa aula de jazz dance, a chuva caindo, as risadas gostosas das pessoas, os estalos de um beijo, os estalos dos meus dedos, o leve roçar dos braços num abraço, os solos de guitarra do Jimi Hendrix, o batuque do samba. Pudera eu sentir o cheiro de um pão de queijo quentinho, de uma bala de melancia, de terra molhada, do miojo de pizza, do omelete, da primavera, do inverno. Pudera eu manusear os feijões num grande saco de feijão da feira, a macia pétala da rosa, um travesseiro macio após um dia exausto, madeixas alheias num cafuné. Pudera eu degustar um bom vinho, um licor de canela, sentir o gosto de um beijo apaixonado, de um pão de queijo, da bala chita, do suco de laranja, do açaí. Pudera eu ver artistas se expressando em teatro, dança, poesia, show, as infinitas cores do arco-íris, a queda da cachoeira, o olhar de amigos e amados, o sorriso sincero de uma criança por mais peste que esta seja, a alegria das pessoas que amo, as cores da natureza.
Mas sou uma utopia...
Sem nenhum sentido!
E quando eu nascer e for ao mundo isso tudo será real.
Mas sou uma utopia...
Sem nenhum sentido!
E quando eu nascer e for ao mundo isso tudo será real.