segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A cegueira está na falta de amor

Em tempos de ódio parei pra pensar no amor. E parei pra pensar o motivo das pessoas debocharem que "o amor é cego mesmo, né?" ou frases do tipo... O amor não é cego, pelo contrário, ele enxerga mto bem! E mto além do que se vê. É mto além do que se vê! Mto além da "beleza aparente" (ou ainda: se está dentro do padrão de beleza imposto pela sociedade). Ele enxerga a essência do outro, enxerga a sinceridade e pureza de um sorriso, enxerga os trejeitos característicos que fazem daquela pessoa única no mundo e única no seu mundo. Enxerga o carinho do outro com você, enxerga a cumplicidade. Enxerga, assim, a real beleza. O amor não é cego, o amor não é míope, o amor enxerga o que pra outros é obscuro ou não está ali; é como visto por uma coruja. Diga lá então que o cego é ele que não enxerga beleza onde a maioria também não vê, por ter uma visão padronizada pela sociedade e admirar apenas o exterior, sem sequer explorar a essência e conhecer o outro por inteiro, além da roupa, da polpa, da pele que habita enfim.



(...) e se antes, um pedaço de maçã
hoje quero a fruta inteira
e da fruta tiro a polpa (...)

O Teatro Mágico - De ontem em diante

quinta-feira, 16 de agosto de 2018







ser mente
pra semente
semear





terça-feira, 27 de março de 2018

Eu fico com a pureza da resposta das crianças

Num intervalo pequeno de tempo duas cenas me fizeram sorrir com os lábios e com a alma. A infância é muito doce, né? E certos gestos dessa fase sabem como me fazer sorrir... 

Vendo de fora, como boa observadora que sou, reparei que uma destas cenas foi um momento de resposta. Resposta ao momento que foi vivido, resposta a uma trajetória para estar onde estava, resposta a uma apresentação intensa e emocionante nas suas mais diversas formas e cores. A outra cena me pareceu um momento introspectivo de perguntas e respostas internas sobre movimentos, sobre luz e sombra.

Talvez pro guri foram simplesmente 5 minutos de pura doçura explorando seus movimentos, dançando como se ninguém estivesse observando. Mas que foi uma cena bonita de se ver, isso foi... Quanta inocência, quanta delicadeza numa cena dessas... Dançava e rodopiava sem parar, de braços abertos, variando entre movimentos lentos e rápidos, de forma com que sua cabeça completasse o giro o quanto antes, pra que pudesse olhar pra baixo e observar se os movimentos da sua sombra no chão estavam em sincronia.
Arte minha tentando reproduzir a sombra dançante :p
A garotinha que citei primeiro era uma das dezenas de crianças e adolescentes no palco, das mais diversas idades. Tem no máximo 7 anos e faz parte do Coral Meninos de Araçuaí, que se apresentava junto ao grupo Ponta de Partida, com clássicos da nossa infância e clássicos do Milton Nascimento. 

Em uma das últimas músicas reparei a garotinha enxugando as lágrimas toda hora, por longos minutos. Mas um choro de emoção por estar ali, por saber que fez parte de uma apresentação linda. E como gosto de devanear, já fui logo viajando nos meus pensamentos, tentando adivinhar o que se passava na cabeça dela naquele momento. Como será que é a vida dela em Araçuaí? Será que foi a primeira apresentação em cidade grande? Será que tem alguém da família na plateia? Será que tem mais irmãos que também participem do coral? Será... Será... Será... O belo está nos olhos de quem quer. Eu e minha mania deliciosa de observar detalhes singelos que muitas vezes passam despercebidos. Tomara que algum fotógrafo do espetáculo tenha captado esse momento de doçura e emoção também. Captado em sua lente fotográfica, assim como captei nas lentes dos meus óculos de olhar míope.