Cês já viram a repaginação da rodoviária de Belo Horizonte, minha gente? Dia desses eu cheguei lá faltando 5 minutos para o ônibus que ia pra Ouro Preto sair. Em outros breves tempos eu poderia descer correndo e comprar a passagem dentro do ônibus mesmo, para não perdê-lo. Agora você é barrado de descer pra plataforma sem a passagem na mão, então precisei esperar mais uma hora para o próximo ônibus.
Mas isso não me incomodou tanto como o fato de que com isso, de apenas descer quem tem a passagem em mãos, quem gostava de dar tchau pro acompanhante pela janela não pode mais.
Lembrei da importância disso numa cidade grande. Pessoas partem para se mudar, pra ir visitar um parente doente, pra passar o feriado longe, pra voltar pra casa depois de uma estadia em BH, para passar apenas o dia fora à trabalho que seja, mas é gostoso demais dar um tchauzinho de dentro do ônibus pra família que ali fica, do lado de fora do ônibus. Pro amor que ali fica, com o coração na mão de saudade antecipada. Pro amigo que foi te acompanhar na rodoviária para que você se sinta acolhido.
Veio a lembrança forte de quando me mudei pra Ouro Preto em março de 2011 para estudar, em que minha mãe foi me levar e a dorzinha de romper o cordão umbilical tomou conta de nós duas; na época era ônibus mais simples, em que a janela ficava aberta, não ônibus com ar condicionado em que não é possível abrir a janela. Ela começou a chorar do lado de fora e eu também do lado de dentro, em que dei a mão pra ela na janela e pedi pra que ela fosse embora logo para não chorarmos mais.
E assim parti. E assim fortaleceu-se ainda mais nossa relação. E assim voei e vivi.
Lembrei também da carinha boa da Anna Beatriz, minha prima de 15 aninhos, quando veio passar alguns dias na capital comigo e quando a levei na rodoviária também a acompanhei até o piso inferior da plataforma.
Mas quem se importa, não é mesmo? As pessoas que fazem as regras não devem ter tido este carinho e acolhimento na rodoviária um dia.
pra que tornar as coisas tão sombrias
na hora de partir
por que não se abrir
se o que vale é o sentimento
e não palavras quase sempre traiçoeiras
e é bobeira se enganar
melhor nem tentar...
afinal a gente sofre de teimoso
quando esquece do prazer
adeus também foi feito pra se dizer:
bye bye, so long, farewell...
Guilherme Arantes