sábado, 27 de junho de 2026

Andorinha voou, voou

Em meio ao turbilhão, em que todos os sinais já mostravam que ela seria uma andorinha só, um casal de andorinhas pousou na janela, pedindo calmaria e apreciação do presente raro que deram, estando ali presentes. 

Pediram, apenas com uma imponente presença acompanhada de um belo e breve pio, que eles parassem um instante e apreciassem. 

(andorinhas bordadas por mim 🤍)

Silenciaram e apreciaram, um cadim meio sem acreditar naquele instante de tanta beleza e raridade. 

E naquele momento, houve esperança. Mas o esperançar (de Paulo Freire) nunca houve, desde então. Nunca foi ouvido por ele. Para o esperançar, ele se tornou surdo, mudo, imóvel. 

"andorinha voou, voou
fez um ninho na minha mão
e um buraco bem no meu coração"

Um ano depois, após uma crise de choro na praça, hoje, enquanto estava no sofá, uma andorinha só pousou na janela e chamou a atenção dela com seu pio, como um acalento. Mas uma andorinha só não faz verão, não é mesmo?

Parou o que fazia e foi vê-las voando, com um sorriso gostoso nos lábios e outro interno. Lá estavam num grupinho, umas 5, sincronizadas a bailar no ar. Tão tão lindas... Nos mostrando que, mesmo se faltar o vento, a gente inventa o movimento. 

#nowlistening
Čao Laru - Não estaremos sós