sexta-feira, 13 de março de 2026

Santêrerê

Uma formosura em cada rua, em cada canto, em cada segundo e minuto que se anda por esse bairro...

Em pleno mês de março, numa madrugada de quinta pra sexta, voltando da celebração de aniversário do Sérgio Pererê, luzinhas de Natal acesas numa árvore do jardim de uma casa na rua Formosa. Por quê não?

Tudo reluz, mesmo em nossas sombras! Daqui, dali, acolá, o ano todinho. 

Coisa mais formosa é a vida, formosura é esse bairro e cada cantinho. Formosura é celebrar a vida de um dos maiores nomes da música mineira, quiçá da música brasileira e mundial no primeiro bairro que morei, o Concórdia.

É memória, é alegria, é vida, é potência, é movimento. A vida é movimento! 

Dos 50 anos do Pererê, há ao menos 25 eu sigo admirando a potência da sua voz, presença e alma nesse mundão. Certamente o presente somos nós quem ganhamos a cada dia! 

Feliz idade! Viva a vida!! 


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Vovôzin, meu amor todinho

ontem, ao chegar em Formiga, fui direto no vovô para cumprimentá-lo.

carrancudinho lindeza que é, em toda minha vida sempre que fui vê-lo e perguntei como está, ele sempre respondia com algo como "ah, uma dor nas costas", "ah, tô bom não...", "ah, tô com umas dores", "ah, tô levando", "ah, tô indo...", etc.

e para minha surpresa, ontem, ao chegar e ir correndo abraçá-lo no quarto dele e perguntar, ele soltou em bom tom um "tô bom não, tô ótimo!"

murri de alegria!! milagres de Natal podem acontecer, acredite! hohoho 

segunda-feira, 24 de março de 2025

Bordando memórias

Foi tão lindo fazer esse bordado, que enquanto eu bordava fui escrevendo no meu caderninho algumas reflexões sobre o luto. E aqui estão algumas delas...
Ressignificar momentos bordando dá um calorzinho gostoso no coração...

O luto é como o avesso do bordado, com seus espaços vazios, buracos e o caos do entrelaçar das linhas.
Avesso de um bordado com 2 corações interligados
Lado direito de um bordado com 2 corações interligados
Mas, com o tempo, o que fica na gente é o lado direito do bordado: belo e com cada pontinho em seu lugar, fortalecendo ainda mais o elo com quem se foi.

As lembranças gostosas e a presença marcante daquela pessoa, nesse nosso mundão, permanecem vivas.
Que o elo permaneça em cada coraçãozinho machucado pelo luto e que nossos corações sigam conectados, guardando memórias e fortalecendo quem fica! 😊

quinta-feira, 13 de março de 2025

Carnavalizar com a cultura popular

no carnaval de BH, bloco mais lindo que o Coco da Gente não há
há felicidade pra lá de metro encantando crianças de todas as idades
da primeira infância à terceira idade, há limite para a felicidade?
é um cadim de cantoria pra lá, bate bate o pé pra cá, bate bate palma pra lá
umbigadas e mais umbigadas acompanhadas de sorrisos e mais sorrisos
há sincronia entre cada troca de dançarinos no meio da roda
é sincronia no olhar, sincronia no dançar, sincronia no brincar!
em cada entoar de canto, muita história de resistência e alegriar
bate bate o pé no chão, ecoando no coração a emoção dessa tradição

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024






pensando na finitude da vida

e na infinitude do enquanto ela é vivida

🍄

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Conexões inesperadas: música, dança, solitude e reflexões no Uber

Começar a semana com um sorriso na alma é gostoso demais! O motorista do Uber começou perguntando sobre a rádio que eu queria ouvir. Colocou e depois ele começou a puxar assunto (o que geralmente me dá preguiça, bichinho do mato que sou - e por geralmente o papo ser ruim), perguntando se gosto de samba, que era o que tava tocando na rádio brasileiríssima (100,9), daí perguntou o que mais gosto de ouvir e tal, ele disse que gosta de forró pé de serra, perguntou se eu gostava e do que mais gostava de música, comentei que gosto das velharias da MPB, citei o Chico César e Geraldo Azevedo, ele disse que tb foi ao show e tal…

Sobre forró, eu falei que gosto mto de ouvir, mas não sei dançar. Ele disse uma frase mto bonita, que "pra saber dançar, é preciso saber ouvir". 🤯 

A mente explodiu. Que frase linda! E é exatamente isso, né? Não adianta querer dançar algo. Primeiramente é preciso ouvir e sentir a música, pois assim o ritmo flui de forma natural, te permitindo dançar. Lembrei dos anos que fiz jazz dance e era isso mesmo que eu sentia.

Depois o papo fluiu, falamos sobre viajar à sós, ele contou que morava em Portugal, jogava futebol lá, daí qdo voltou pro Brasil, enquanto pensava no que faria aqui, foi pra São Thiago, no Chile, sozinho e se permitiu tb. Contei de quando fui pra Jericoacoara e Canoa Quebrada, falamos bem do Nordeste, etc. 

Contei que sou bicho do mato, por isso amo viajar sozinha. Falamos sobre envelhecer no mato e me fez refletir sobre algo. Meu pai e meu irmão, por exemplo, dizem que não morariam no mato/interior de forma alguma, pela falta do que fazer. 

solitude

Isso é justamente o que me atrai pra morar no interior, ver a vida passando mais devagar, com mais qualidade de vida e tal… conversamos sobre como, no geral, pessoas que têm essa vontade são pessoas que se dão bem consigo mesmas, na solitude. Paramos pra pensar como grande parte das pessoas não dá conta de si mesma, não ama sua própria companhia por mto tempo. 

Qdo cheguei no destino que o Uber me deixou, ele disse pra eu me permitir (sobre amizades que falei que não costumo fazer), e que tenho uma energia mto, mto boa. Que cara de luz! Pela primeira vez na vida gostei de um papo de Uber.

(texto perdido no meu Google Drive, não é de hoje, mas hoje também é segunda-feira)

quarta-feira, 29 de março de 2023

maestro é quem dança a partitura,

enquanto os músicos tocam para o público.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Sou meu próprio universo

(bem Alceuzinha na foto)

Tenho em mim minha própria constelação: pintinhas e sardinhas por todos os cantos do meu corpo. Corpo que habito, corpo que amo, corpo que me acolhe.

Tenho em mim minha própria constelação, minha luz própria e, assim, faço de mim um universo particular, meu universo, meu lar. Alegria! Alegria!

Eu sou meu próprio lar. E como todo lar, às vezes me bagunço, às vezes sou caos, mas geralmente sou equilíbrio. E sou sempre aconchego, sou sempre amor. De mim para mim. De mim para o outro. Do outro para mim. Seja amor, espalhe amor!

Pinguelinha e outras cositas mais da nossa criança interior

Dia desses relembrei a parlenda da pinguelinha. E que delícia foi gravar esse videozinho... Depois ficamos relembrando brincadeiras de infância, uma infância saudável de brincadeiras de rua.

Ei, você, quando pensa na sua infância, quais parlendas você se lembra? Quais brincadeiras? Qual o primeiro cheiro marcante que vem a sua mente? Qual a primeira música que aprendeu? Qual a primeira oração que te ensinaram? Qual o primeiro amigo de verdade que você fez? Vocês ainda são amigos? Qual o primeiro contato com a natureza você se lembra na sua infância?

Não é segredo pra maioria das pessoas que me conhece que sou muito nostálgica. Essa nostalgia tem sido cada vez mais reflexiva. Amo ficar relembrando coisas da infância e identificando o que ficou daquela época na minha eterna criança interior.

Nossa criança interior é algo muito forte e lindo. Através dela entendemos muito do que fomos até aqui, muito do que somos, o que seremos ou queremos ser, como queremos criar nossos filhos. É algo louco e muito gostoso! Amo escrever sobre isso no meu caderninho, é super terapêutico!

Acolher nossa criança interior nos traz força, doçura e confiança para a vida adulta. Perdoe suas experiências de desamor, exclusão ou abandono, seja por familiares ou amiguinhos...

Essas experiências nos fazem retrair como forma de defesa e isso acaba refletindo de maneira a não nos permitir dar ou receber amor plenamente na vida adulta. As dores da nossa infância, da nossa criança, infelizmente (e felizmente também) têm grande impacto na vida adulta. Algumas a gente nunca consegue curar ou perdoar, mas é sempre gostoso e gratificante tentarmos.

Acolher nossa criança é essencial para nossa evolução e maturidade espiritual, para que possamos não mais ficar sempre na defensiva, reagindo a tudo que nos faz lembrar nossas dores.

Pegue suas dores e as transforme em cores, flores, amores e sabores! E que tudo seja leve, se não hoje, num futuro próximo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

querer ser
crer ser
crescer
queira ser
queira crer
queira crer, ser

quarta-feira, 8 de julho de 2020

quinta-feira, 5 de março de 2020

Sobre espiritualidade e amor sem religão


Tenho uma espiritualidade muito forte. Sempre tive. Mas nos últimos 3 anos isso vem sendo fortalecido mais a cada dia... Minha avó sempre diz que preciso ir à missa, preciso pagar o dízimo.

Costumo dizer a ela algo como "mas vó, eu já faço o bem pro outro e pro meu redor da melhor forma que eu posso, isso já não vale? Tenho uma espiritualidade muito saudável e bonita. Tem muito cristão por aí que só dissemina o ódio e preconceito ao próximo, às minorias, enquanto tudo o que deveria ser feito é amar e respeitar tudo e todos, por mais diferentes que possam ser".

Mas claro que ela sempre diz que não, não basta, que eu tenho que ir à missa, ouvir a palavra de Deus. Mas que Deus é esse das religiões cristãs que aprisiona, que demanda sempre uma renúncia de algo para que você se beneficie futuramente por tal sacrifício? Às vezes é um Deus de amor, mas muitas vezes é um Deus que aprisiona.

A visão sobre a construção de Deus deveria ser, acima de tudo, sobre amor. Não faz sentido essa culpa e puritanismo em tudo que as religiões cristãs nos impõem. Levo pra mim um pouquinho de cada religião que venho conhecendo, mas levo acima de tudo, o amor. Este sim salva tudo e todos.

Dos últimos 5 anos pra cá tenho me sentido cada vez mais livre, cada vez mais dona de mim, cada vez mais forte, mais baixinha arretada, com mais amor próprio. Quando nós, mulheres, somos criadas por grande parte da família sendo patriarcal, o que nos resta é um cadim de insegurança, puritanismo, de forma inconsciente.

Foi assim comigo, é assim com muita mulher e será com muitas outras. Demorei a me libertar um cadim disso? Sim. Mas antes tarde do que mais tarde, não é mesmo? Hoje não me culpo por isso. Sei que isto é consequência da criação que tive, em que o homem tinha a palavra final, em que o homem não respeita a mulher, mas a trata com inferioridade (de forma consciente ou não), para que seja dependente dele, financeiramente ou psicologicamente.

Parece ridículo quando a gente lê, né? E de fato é. Sorte a minha ter uma mãe forte, com pensamentos livres, que conseguiu reverter tudo isso de mim. Tudo isso em mim.


Efectivamente, sólo la vida del espíritu da plenitud al ser humano. Ella es un bello sinónimo para espiritualidad, frecuentemente identificada o confundida con religiosidad. La vida del espíritu es más, es un dato originario y antropológico como la inteligencia y la voluntad, algo que pertenece a nuestra profundidad esencial.
Sabemos cuidar la vida del cuerpo, hoy una verdadera cultura con tantas academias de gimnasia. Los psicoanalistas de varias tendencias nos ayudan a cuidar de la vida de la psique, para llevar una vida con relativo equilibrio, sin neurosis ni depresiones.
Pero en nuestra cultura prácticamente olvidamos cultivar la vida del espíritu que es nuestra dimensión radical, donde se albergan las grandes preguntas, anidan los sueños más osados y se elaboran las utopías más generosas. La vida del espíritu se alimenta de bienes no tangibles como es el amor, la amistad, la convivencia amigable con los otros, la compasión, el cuidado y la apertura al infinito. Sin la vida del espíritu divagamos por ahí sin un sentido que nos oriente y que hace la vida apetecida y agradecida.
Una ética de la Tierra no se sustenta ella sola por mucho tiempo sin ese supplément d’ame que es la vida del espíritu. Ella hace que nos sintamos parte de la Madre Tierra a quien debemos amar y cuidar. 
Leonardo Boff

quarta-feira, 4 de março de 2020

A maldade está nos olhos de quem vê

Os resgates que fazemos sobre nossa memória da infância são excelentes formas de curar várias coisas dentro da gente, já parou pra pensar nisso? Reflita.

Silhouettes of trees and people on a wood Free Photo

A primeira vez que vi uma desigualdade social de perto foi quando fui na casa da moça que cuidava de mim enquanto meus pais trabalhavam para nosso sustento. Maria é o nome dela.

Maria era sorridente, brincalhona e sempre foi muito carinhosa comigo, assim como sua mãe; Beth. Ou Dedeth, que é como eu a chamava.

Era uma rua de terra batida, sem calçamento, sem passeio. De passeio apenas eu ali, passando o dia na casinha da sorridente Maria. À passeio numa rua sem passeio.

Eu tinha provavelmente uns 7 anos. Criança não vê maldade nas coisas, né? Não julga, não inferioriza, não tem muita noção de realidades diferentes, apenas enxerga todos como semelhantes; humanos. O mau dos julgamentos e preconceitos são os adultos. Sempre foi.

Um pouco mais velha, por volta de 12 anos de idade, lembro de ter julgado o outro pela primeira vez. Foi algo relacionado a intolerância religiosa. Olhava torto para mulheres de saias longas e cabelos quase nos pés. Era muito comum entre as mulheres evangélicas se vestirem assim nos anos 1990.

Esse julgamento veio, claramente, de influências de pessoas próximas a mim. Influência é algo pesado, meus caros... Vocês bem sabem. Ainda mais para uma criança que é inocente e não tem noção das maldades e preconceitos no mundo.

Minha mãe nunca falou mal de religião nenhuma pra mim. Muito pelo contrário, pois ela é uma das pessoas mais humanas e justas que conheço. Mas da grande maioria das outras pessoas ouvia que era feio e até mesmo falta de higiene aquele cabelo enorme e por um tempo levei essa verdade comigo.

Criada num ambiente de preconceito sobre diversos assuntos, me lembro também, já na adolescência, de ter visto duas mulheres se beijando na estação de metrô em Venda Nova e achado estranho e falta de respeito com as pessoas que ali estavam (?).

Que bom que com o tempo, um cadim de informação e boas novas influências na vida, a gente aprende que amor é amor, né? Simples assim, sem distinção de gênero, raça ou classe. Aprende também sobre tolerância, sobre humanidade, sobre justiça social.

Para isso geralmente é preciso nos afastarmos de pessoas tóxicas em nossas vidas. E essas pessoas muito comumente são da nossa própria família ou "amigos" próximos. Já parou para pensar nisso? Pare, pense. Pesquise sobre as coisas em diferentes fontes para, aí sim, formar sua própria opinião.

Perdoe a sua criança interior. Faça sempre trabalhos mentais para refletir sobre ações da sua infância que influenciam quem você vem se tornando.

Infelizmente muita gente permanece estagnada e com pensamentos sórdidos sobre tudo e todos. Só lamento por essas pessoas. Quero mais é continuar evoluindo e sendo cada dia mais e mais humana. Mais e mais justa. Mais e mais eu.

Olhar além

Achei que sempre fui a cara da minha mãe até rever estas fotos. Daí fiquei quase uma hora vendo e revendo cada uma delas, não resisti e fiz uma colagem com a brincadeira "onde está o Wally"? Muito parecidos de uma forma que nunca observei... Tenho um cadim do jeito "sou minha melhor companhia" dele, de quem realmente gosta de ser e estar sozinho em determinados momentos. Que não cansa de viver e sorrir com a sua própria companhia, sem a necessidade de ter sempre alguém com quem compartilhar os momentos. Ultimamente tornei a pessoa nele que eu criticava em que, mesmo trabalhando com tanta gente legal e muitos deles almoçando juntos, ainda assim prefiro a minha própria companhia neste momento sagrado. Eu, minha comida, minhas reflexões e no máximo meu fone de ouvido algo. E logo após o almoço aqueeeele cochilinho em qualquer canto que encostar: ele, quando eu também trabalhava na Praça Sete, foi apresentado por mim para o sofá maravilhoso do Sesc Palladium, hoje eu deito na empresa e também cochilo. Bébabosa é na dele, mas não dispensa os poucos e bons que o rodeiam. Sou assim também, de poucos, mas ótimos amigos. Até na crueldade da infância analisando bem éramos parecidos... Enquanto ele botava fogo no jornal da vizinha, eu fazia chantagem emocional com minhas priminhas. O engraçado é só ter observado isso da aparência física hoje. Sempre achei que fosse parecida apenas com minha mãe, até rever essas fotos. Talvez porque por muito tempo era mais óbvio e cômodo ver a semelhança com minha mãe, por me identificar mais com ela no quesito modo de viver a vida, pensar no outro, pensar no todo. Mas há também muito em mim dos gostos culturais e modo de viver a vida do meu pai também. Ele também já fez teatro e foi dele a influência maior para até hoje eu amar teatro e, evolutivamente, toda forma de arte e cultura que expresse a alegria e tristeza do amor e dor do povo. Gosta de MPB e com ele aprendi muito da história da Ditadura Militar brasileira em músicas do Chico Buarque, Ney Matogrosso, Caetano Veloso e por aí vai. Me apresentou meu ídolo mor da música brasileira: Alceu Valença, ao me contar sobre a história da música "Papagaio do Futuro".

Apenas hoje, com a evolução de ambos (dele principalmente), é que vejo que voltei a ter essa visão de semelhança: através de uma semelhança física do passado após anos sem notá-la. Voltamos a viver a vida mais leve mantendo sempre a simplicidade que nunca deixou de existir e insistir em nós. E assim vamos trilhando nossos respectivos caminhos.