quinta-feira, 5 de março de 2020

Sobre espiritualidade e amor sem religão


Tenho uma espiritualidade muito forte. Sempre tive. Mas nos últimos 3 anos isso vem sendo fortalecido mais a cada dia... Minha avó sempre diz que preciso ir à missa, preciso pagar o dízimo.

Costumo dizer a ela algo como "mas vó, eu já faço o bem pro outro e pro meu redor da melhor forma que eu posso, isso já não vale? Tenho uma espiritualidade muito saudável e bonita. Tem muito cristão por aí que só dissemina o ódio e preconceito ao próximo, às minorias, enquanto tudo o que deveria ser feito é amar e respeitar tudo e todos, por mais diferentes que possam ser".

Mas claro que ela sempre diz que não, não basta, que eu tenho que ir à missa, ouvir a palavra de Deus. Mas que Deus é esse das religiões cristãs que aprisiona, que demanda sempre uma renúncia de algo para que você se beneficie futuramente por tal sacrifício? Às vezes é um Deus de amor, mas muitas vezes é um Deus que aprisiona.

A visão sobre a construção de Deus deveria ser, acima de tudo, sobre amor. Não faz sentido essa culpa e puritanismo em tudo que as religiões cristãs nos impõem. Levo pra mim um pouquinho de cada religião que venho conhecendo, mas levo acima de tudo, o amor. Este sim salva tudo e todos.

Dos últimos 5 anos pra cá tenho me sentido cada vez mais livre, cada vez mais dona de mim, cada vez mais forte, mais baixinha arretada, com mais amor próprio. Quando nós, mulheres, somos criadas por grande parte da família sendo patriarcal, o que nos resta é um cadim de insegurança, puritanismo, de forma inconsciente.

Foi assim comigo, é assim com muita mulher e será com muitas outras. Demorei a me libertar um cadim disso? Sim. Mas antes tarde do que mais tarde, não é mesmo? Hoje não me culpo por isso. Sei que isto é consequência da criação que tive, em que o homem tinha a palavra final, em que o homem não respeita a mulher, mas a trata com inferioridade (de forma consciente ou não), para que seja dependente dele, financeiramente ou psicologicamente.

Parece ridículo quando a gente lê, né? E de fato é. Sorte a minha ter uma mãe forte, com pensamentos livres, que conseguiu reverter tudo isso de mim. Tudo isso em mim.


Efectivamente, sólo la vida del espíritu da plenitud al ser humano. Ella es un bello sinónimo para espiritualidad, frecuentemente identificada o confundida con religiosidad. La vida del espíritu es más, es un dato originario y antropológico como la inteligencia y la voluntad, algo que pertenece a nuestra profundidad esencial.
Sabemos cuidar la vida del cuerpo, hoy una verdadera cultura con tantas academias de gimnasia. Los psicoanalistas de varias tendencias nos ayudan a cuidar de la vida de la psique, para llevar una vida con relativo equilibrio, sin neurosis ni depresiones.
Pero en nuestra cultura prácticamente olvidamos cultivar la vida del espíritu que es nuestra dimensión radical, donde se albergan las grandes preguntas, anidan los sueños más osados y se elaboran las utopías más generosas. La vida del espíritu se alimenta de bienes no tangibles como es el amor, la amistad, la convivencia amigable con los otros, la compasión, el cuidado y la apertura al infinito. Sin la vida del espíritu divagamos por ahí sin un sentido que nos oriente y que hace la vida apetecida y agradecida.
Una ética de la Tierra no se sustenta ella sola por mucho tiempo sin ese supplément d’ame que es la vida del espíritu. Ella hace que nos sintamos parte de la Madre Tierra a quien debemos amar y cuidar. 
Leonardo Boff

quarta-feira, 4 de março de 2020

A maldade está nos olhos de quem vê

Os resgates que fazemos sobre nossa memória da infância são excelentes formas de curar várias coisas dentro da gente, já parou pra pensar nisso? Reflita.

Silhouettes of trees and people on a wood Free Photo

A primeira vez que vi uma desigualdade social de perto foi quando fui na casa da moça que cuidava de mim enquanto meus pais trabalhavam para nosso sustento. Maria é o nome dela.

Maria era sorridente, brincalhona e sempre foi muito carinhosa comigo, assim como sua mãe; Beth. Ou Dedeth, que é como eu a chamava.

Era uma rua de terra batida, sem calçamento, sem passeio. De passeio apenas eu ali, passando o dia na casinha da sorridente Maria. À passeio numa rua sem passeio.

Eu tinha provavelmente uns 7 anos. Criança não vê maldade nas coisas, né? Não julga, não inferioriza, não tem muita noção de realidades diferentes, apenas enxerga todos como semelhantes; humanos. O mau dos julgamentos e preconceitos são os adultos. Sempre foi.

Um pouco mais velha, por volta de 12 anos de idade, lembro de ter julgado o outro pela primeira vez. Foi algo relacionado a intolerância religiosa. Olhava torto para mulheres de saias longas e cabelos quase nos pés. Era muito comum entre as mulheres evangélicas se vestirem assim nos anos 1990.

Esse julgamento veio, claramente, de influências de pessoas próximas a mim. Influência é algo pesado, meus caros... Vocês bem sabem. Ainda mais para uma criança que é inocente e não tem noção das maldades e preconceitos no mundo.

Minha mãe nunca falou mal de religião nenhuma pra mim. Muito pelo contrário, pois ela é uma das pessoas mais humanas e justas que conheço. Mas da grande maioria das outras pessoas ouvia que era feio e até mesmo falta de higiene aquele cabelo enorme e por um tempo levei essa verdade comigo.

Criada num ambiente de preconceito sobre diversos assuntos, me lembro também, já na adolescência, de ter visto duas mulheres se beijando na estação de metrô em Venda Nova e achado estranho e falta de respeito com as pessoas que ali estavam (?).

Que bom que com o tempo, um cadim de informação e boas novas influências na vida, a gente aprende que amor é amor, né? Simples assim, sem distinção de gênero, raça ou classe. Aprende também sobre tolerância, sobre humanidade, sobre justiça social.

Para isso geralmente é preciso nos afastarmos de pessoas tóxicas em nossas vidas. E essas pessoas muito comumente são da nossa própria família ou "amigos" próximos. Já parou para pensar nisso? Pare, pense. Pesquise sobre as coisas em diferentes fontes para, aí sim, formar sua própria opinião.

Perdoe a sua criança interior. Faça sempre trabalhos mentais para refletir sobre ações da sua infância que influenciam quem você vem se tornando.

Infelizmente muita gente permanece estagnada e com pensamentos sórdidos sobre tudo e todos. Só lamento por essas pessoas. Quero mais é continuar evoluindo e sendo cada dia mais e mais humana. Mais e mais justa. Mais e mais eu.

Olhar além

Achei que sempre fui a cara da minha mãe até rever estas fotos. Daí fiquei quase uma hora vendo e revendo cada uma delas, não resisti e fiz uma colagem com a brincadeira "onde está o Wally"? Muito parecidos de uma forma que nunca observei... Tenho um cadim do jeito "sou minha melhor companhia" dele, de quem realmente gosta de ser e estar sozinho em determinados momentos. Que não cansa de viver e sorrir com a sua própria companhia, sem a necessidade de ter sempre alguém com quem compartilhar os momentos. Ultimamente tornei a pessoa nele que eu criticava em que, mesmo trabalhando com tanta gente legal e muitos deles almoçando juntos, ainda assim prefiro a minha própria companhia neste momento sagrado. Eu, minha comida, minhas reflexões e no máximo meu fone de ouvido algo. E logo após o almoço aqueeeele cochilinho em qualquer canto que encostar: ele, quando eu também trabalhava na Praça Sete, foi apresentado por mim para o sofá maravilhoso do Sesc Palladium, hoje eu deito na empresa e também cochilo. Bébabosa é na dele, mas não dispensa os poucos e bons que o rodeiam. Sou assim também, de poucos, mas ótimos amigos. Até na crueldade da infância analisando bem éramos parecidos... Enquanto ele botava fogo no jornal da vizinha, eu fazia chantagem emocional com minhas priminhas. O engraçado é só ter observado isso da aparência física hoje. Sempre achei que fosse parecida apenas com minha mãe, até rever essas fotos. Talvez porque por muito tempo era mais óbvio e cômodo ver a semelhança com minha mãe, por me identificar mais com ela no quesito modo de viver a vida, pensar no outro, pensar no todo. Mas há também muito em mim dos gostos culturais e modo de viver a vida do meu pai também. Ele também já fez teatro e foi dele a influência maior para até hoje eu amar teatro e, evolutivamente, toda forma de arte e cultura que expresse a alegria e tristeza do amor e dor do povo. Gosta de MPB e com ele aprendi muito da história da Ditadura Militar brasileira em músicas do Chico Buarque, Ney Matogrosso, Caetano Veloso e por aí vai. Me apresentou meu ídolo mor da música brasileira: Alceu Valença, ao me contar sobre a história da música "Papagaio do Futuro".

Apenas hoje, com a evolução de ambos (dele principalmente), é que vejo que voltei a ter essa visão de semelhança: através de uma semelhança física do passado após anos sem notá-la. Voltamos a viver a vida mais leve mantendo sempre a simplicidade que nunca deixou de existir e insistir em nós. E assim vamos trilhando nossos respectivos caminhos.

domingo, 1 de março de 2020

Linha no tecido ou dor





Sobre as vezes em que preciso pensar e repensar se vale a pena bordar algo pessoal.
Sobre a necessidade de desabafar sobre sentimentos, reorganizá-los ou guardá-los.
Sobre e para Bodock's. Escrito por e para mim:




cada ponto de linha e agulha no tecido
seria uma pontada de agulha ali dentro
costurando o vivido e o não vivido
o vivido do não vivido, sempre tão vívido